quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Crise Irlandesa, segundo os próprios irlandeses (Parte I)

Quem me conhece sabe o quanto eu ODEIO política! Mesmo o fato de ter nascido na capital da República não conseguiu plantar em mim uma mínima semente de interesse por qualquer coisa que seja ligado a esse assunto. Não é por falta de esforço ou tentativa, posso garantir. Sempre entro nos sites de jornais e portais de informações à procura de notícias gerais, mas sempre que tento me ater àquelas voltadas à parte política da nossa Pátria Amada, perco o interesse instantaneamente.

Assim sendo, quando comecei a estudar um pouco sobre a Europa e sua atualidade, não me foquei em momento algum nos sintomas e consequências desta atual crise mundial aqui em terras geladas. O máximo que me ocorreu foi acompanhar parcialmente a derrocada grega, afinal estava bem próximo da minha vinda para a Irlanda e eu corria o risco de que algo me impedisse de chegar.

Mas hoje, já estando aqui, e tendo a felicidade de conviver com alguns irlandeses e com vários europeus, resolvi me recusar a virar as costas para o que está acontecendo. Posso não gostar de política, mas tenho um amor especial por História, e sei que, estando aqui, neste momento, estou vivendo, em primeira pessoa, um momento que está mudando e ainda poderá mudar muito o curso das coisas. Então resolvi, após tantos questionamentos vindos de pessoas queridas no Brasil, falar um pouquinho de como está sendo a crise, vista de dentro.

É bem importante falar que tudo que estou colocando aqui vem de fontes irlandesas, das ruas. Ou seja, preferi, ao invés de me ater apenas a jornais e sites, colocar um pouquinho da visão irlandesa da crise. Tenho conversado bastante com meus chefes, professores e alguns amigos, e acho que ninguém melhor do que ele mesmos, os mais atingidos, para darem sua versão da história.

Vamos, antes de mais nada, dar nome (e número) aos bois. O primeiro nome, importantíssimo para entendimento de tudo, é o Sr. Brian Cowen. Este é o atual Primeiro-Ministro irlandês, ou Taoiseach, como eles chamam aqui, mantendo as raízes gaélicas. Posso dizer que este senhor, no momento, é uma das figuras mais odiadas pelo povo irlandês. Até hoje não conheci um nativo da Terra da Esmeralda que tenha me falado qualquer palavra de afeto em relação ao homem. O problema dele é que, além de não ser nada carismático (inclusive já tendo aparecido bêbado em uma entrevista há algumas semanas atrás, se tornando motivo de piada mundial), ele é um péssimo administrador e um grande azarado, pois pegou, quando eleito, um país já em crise, e com poucas chances de se reerguer. O que ele fez foi piorar a situação.

Outro nome importante é o Social Welfare, que seria o Serviço Social do Governo, aquele que no Brasil paga Bolsa-Família, dá cestas básicas e assim vai. O Social Welfare irlandês é praticamente uma mãe: cada desempregado recebe, por semana, algo em torno de 200 euros. Acrescente a isso uma quantia em torno de 100 euros POR CADA filho (essa quantia sendo assegurada a a todos os cidadãos irlandeses, estejam eles desempregados ou não), por conta de um programa de aumento de natalidade que foi implantado, mais todos os auxílios que nós conhecemos bem: auxílio-saúde, auxílio-educação, alimentação, e assim vai.

Outro número importante a se conhecer é o salário mínimo irlandês, que aqui é calculado por hora, e não por mês: 8,65 euros, o segundo maior da Europa. Preguiça de calcular? Vamos lá: um trabalhador que labute as conhecidas 40 h/semana, recebe uma média de 1300 euros por mês. O MÍNIMO! Para vc ter uma noção melhor, eu divido um flat com mais 3 pessoas BEM no centro da cidade (prática, aliás, bem comum entre irlandeses. Para eles, dividir apartamento é tão normal quanto é, para nós, morar sozinho), não pego ônibus e como do bom e do melhor, mas só em casa, quase nunca em restaurante. Minhas contas básicas? Mais ou menos 400 euros por mês. Vc ainda tem dúvida de que se vive bem por aqui com o mínimo? Vamos combinar que melhor ainda com o Social Welfare, não?!

O último dado importante que explica um pouco da crise e do porquê desta Terra de Leprechauns estar sendo invadida por estrangeiros buscando seu lugar ao sol são os impostos. Atualmente o cidadão irlandês paga uma das menores taxas de imposto da Europa, senão a menor, o que já não tenho certeza.

Mas por que, vc deve estar se perguntando, este país tem dados tão exorbitantes? Aí entra uma explicação rápida e interessante que meu professor me deu esta semana. A República da Irlanda foi um dos últimos países a se tornar independente na Europa. Tanto é, que até hoje a Irlanda do Norte pertence à Inglaterra (e daí vem os assuntos relacionados ao IRA e lá vem história). Desta forma, o país sempre foi visto como uma grande Colônia, sem muito potencial. E eis que, em pouquíssimo tempo, lá pelos anos 80, esta Ilha começa a crescer tanto que passa a ser comparada com os países asiáticos e seu crescimento acelerado. Daí a denominação Tigres Celtas (ou Celtics Tigers), em alusão aos Tigres Asiáticos que tanto conhecemos.

Nesta onda de crescimento e evolução, é claro que todos estes números faziam todo sentido. Um país em desenvolvimento total só poderia dar muito certo, não é verdade?! Ao que parece, não...

[Para não ficar muito grandão, vou deixar o resto para a Parte II. Enquanto isso vou lendo os jornais e me informando mais... =D]

Hoje de manhã saí de casa a 0ºC, com sensação térmica de MENOS SEIS! Sério! As vezes acho que não vou dar conta! A grande diferença do frio de 4º, de 0º e o de graus negativos não é a sensação de temperatura, é a dor. Exatamente: dói! Vc fica com medo de coçar o nariz e as orelhas, porque eles doem tanto que vc tem certeza de que congelaram, e vão cair. A região desde o lábio inferior ao queixo fica dormente. As pernas pesam, os músculos doem... Vou falar uma coisa: passa por isso uma vez na vida faz sentido. Mais que isso é loucura!!!! As notícias é de que semana q vem teremos neve.

Anteontem vi Harry Potter (ou, como diz o Paul, com seu sotaque francês, Arrí Potê kkkkkkkk)! Infeliz a pessoa que resolveu dividir este filme em dois... Ô, disgrama! A boa notícia é que entendi quase tudo. Me perdi em algumas falas, mas também é exigir muito de mim, né?!

E vamos aos recadinhos...

Guigo, AMO quem facilita os presentes! =D Pode deixar que o seu está garantido! heheheh Pois é, menino! Se vc, que está aí no Brasil, não consegue acreditar na história do netbook, imagina eu, que estou aqui do lado e não fui lá =(

Bibi, pois é... Chocolate, fondue e raclettes... Vou descer as montanhas de neve rolando! kkkkkkkkkkkk

Toseiras, vc que me esqueceu! Eu sempre deixo recadinho pra vc qd vc deixa pra mim, oras! Minino, PENSE no quanto eu lembrei de vc hoje! Na friaca doida que peguei de manhã, meu queixo ficou dormente! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Só pensava em vc! Nem ia conseguir mexer o seu! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Beijos a todos

4 comentários:

  1. Oi Amanda,

    tenho lembrado muito de vc esses dias, pois a Irlanda é tema certo nos jornais aqui no Brasil. Até comentei com o Digo: Como será que as coisas estão lá para a Amanda? Adorei entrar hoje e ler este post! Era tudo que eu queria: uma visão de dentro. Muitas experiências, vivendo parte da História... Aproveite! beijos da prima Marina

    ResponderExcluir
  2. oi Amanda
    estou repassando para o Pedrão seu post sobre a Irlanda, achei muito interessante, uma verdadeira aula de política. Estou indo para BH, passear um pouco e descansar de Brasília. Depois mando ou e-mail. Beijos, tia lé

    ResponderExcluir
  3. Cadê a parte II?????
    Beijos e saudades

    ResponderExcluir
  4. E a segunda parte?

    Saudações.

    ResponderExcluir